sábado, 4 de dezembro de 2010

um pouquinho de lembranças e teorias


Não lembro bem do meu primeiro contato com um blog, tampouco quando essa febre verdadeiramente começou, mas isso eu tenho certeza que eu encontraria no Google, afinal, ele é o pai dos burros da nossa geração tecnológica.

Lembro que estava na escola, lá pelo começo dos anos dois mil, provavelmente usando internet discada e Mirc nos finais de semana, quando essa mania de blog chegou até mim através das pessoas mais experientes em internet do que eu, naquela época. Acho mesmo que tudo começou, ou ganhou força, quando as internets de banda larga começaram a parecer como pop ups, o que permitia um contato mais intimo e diário com o mundo virtual. Após a descoberta da vastidão do novo mundo, explorá-lo e estabelecer um convívio diário, era suficiente para construir uma relação territorial e ali começar uma nova vida.

Minha teoria, na verdade, é que as pessoas que tinham a internet discada e, consequentemente, limitada – em geral por conta das reclamações dos pais sobre o uso desse aparato durante a semana e do aumento da conta de telefone-, no primeiro momento, ficaram extasiadas com o acesso “ilimitado”, mas logo foram tomadas por um grande tédio cibernético que as fez criar um espaço no qual pudessem falar sobre sua vida e outras coisas, mesmo que ninguém estivesse lá para ouvir, ou melhor, para ler.

Como o ser humano nunca está satisfeito com o que tem, estas mesmas pessoas foram invadidas por uma necessidade incontrolável de transformar tudo em uma grande rede social, deixando o solilóquio de lado e alçando vôo para conquistar outros espaços. Ao se estabelecer enquanto ser que construía e se firmava no espaço virtual, era preciso descobrir o caminho das índias e chegar a terras nunca dantes navegadas. O que fazer, então, para interagir e atingir essa meta? Sabendo que havia métodos muito mais eficazes que os de outrora, como a propaganda, que é a alma dos negócios e um grande negócio nesta era, começou-se a divulgar. Quem tinha um amigo incentivava-o a se juntar ao grupo que se formava, esse amigo, porém, tinha outros amigos, que tinham outros, que tinham outros e por aí foi até chegar à configuração que vocês já devem conhecer.

Enquanto isso, do outro lado da rede, era preciso comentar nos blogs mais lidos e conhecidos, deixando sempre, é claro, o endereço do seu, muitas vezes com um singelo convite “visita meu blog!”. Assim, o mundo internético e o mundo onde não se pode, nele mesmo, fazer downloads para satisfazer nossas necessidades, começaram a se misturar. O velho mundo unia-se ao novo mundo. Se não ter um blog era estar marginalizado, imagina não ter internet! Quando todos se encontravam, logicamente, aproveitavam a oportunidade para discutir aquele post, e quem não tinha lido, ficava de fora da conversa.

Então, aqueles que não queriam ficar para trás na corrida das novidades, corriam atrás do prejuízo e criavam seu espaço, mesmo que de uma lanhouse, outra epidemia da época.

A coisa toda geralmente funcionava como um diário mesmo. E os mais tímidos aproveitavam a oportunidade para se expor sem ficar vermelhos, como se estivessem encarnando um personagem. Assim, começaram a surgir poetas e escritores, além de pseudo poetas e pseudo escritores que acreditavam estar fazendo um grande Best-seller do domínio virtual e comovendo os navegantes. Todo mundo, claro, colocou seu lado de critico para fora. Era importante comentar o ultimo lançamento de cd, o filme que tinha acabado de entrar nas salas de cinema, aquela roupa bonita que tal artista estava usando etc. Eu mesma passei por essa fase: fiz blog, falei da minha vida, deletei, refiz, desfiz até que desisti.

Não quero, com isso, dizer que foi um período ruim, ao contrário, foi bom e essencial para o processo de transformação da relação com a internet e com os programas criados nela. Poucos blogs que eu costumava acompanhar estão ativos ainda, tampouco o sistema de funcionamento, utilização e afirmação continuam os mesmos.

Mas isso eu vou deixar pra falar num próximo post. Até.

Um comentário:

  1. São interessantes essas matérias que tratam sobre blogs. Contudo, seria bom que vçs postassem mais sobre os assuntos envolvidos com as discussões sobre mídia em sala de aula.Um abraço e boas postagens!
    Ass.: Atualidades midiáticas

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